ARACAJU: A capital do menor estado do Brasil

Viagem realizada em agosto/2017


Me digam se estou enganada, mas acho que Aracaju é uma das capitais menos lembrada quando se fala de turismo no nordeste brasileiro. Todo mundo menciona Recife, Fortaleza, Salvador, Maceió, João Pessoa... e acabam esquecendo da pequena e bela Aracaju. Porém, essa cidade sempre teve uma importância especial para mim, pois já tive parentes que moraram por lá durante algum tempo. E de tanto ouvir falar dela aqui em casa, sempre tive vontade de conhecê-la.

Esse desejo foi realizado nas minhas férias de 2017, pois consegui uma passagem aérea em promoção para lá (como sempre promoção, né? rs). Minha primeira ideia era ficar alguns dias em Aracaju e outros em Maceió (já que Alagoas fica ali do ladinho). Porém, conforme fui pesquisando o que fazer pela região sergipana, descobri que lá tem muuuitos lugares legais para conhecer. Então, acabei optando em ficar os oito dias das férias só em Aracaju (ao invés de dividi-la com Maceió). E não me arrependi. E acreditem: não consegui conhecer tudo o que queria.

Como fiquei bastante tempo na cidade, decidi me hospedar em dois hotéis diferentes. Sei que pode parecer estranho, mas eu enjoo do hotel quando tenho que dormir nele por muitas noites, rs. Para não estourar meu orçamento, escolhi uma hospedagem mais econômica (a Pousada Águas Douradas) e outra com uma infraestrutura um pouco melhor (o Comfort Hotel). Consegui economizar bastante na Pousada Águas Douradas porque comprei um voucher com desconto no site Hotel Urbano. O atendimento foi ótimo, o wifi funcionou direitinho durante todos os dias e o café da manhã era bem básico, mas ok. A estrutura de toda a pousada é bem simples, mas acho que valeu a pena pelo preço que paguei. É o tipo de hospedagem apenas para dormir depois de um dia cheio de passeios e praia. A localização não é das melhores. Ela fica a apenas duas quadras da Orla do Atalaia, porém em uma área um pouco afastada do centrinho. Quem estiver a pé pela cidade (como eu estava), terá que caminhar bastante ou depender de transporte público.

Meu quarto na Pousada Águas Douradas

Já o Comfort Hotel superou minhas expectativas! A localização dele era beeem melhor. Super mais próximo do centrinho da Orla do Atalaia. Como esse hotel foi inaugurado recentemente, tudo era novinho e moderno. O quarto que fiquei era bastante espaçoso e confortável, com uma cama enooorme. Quase não conseguia sair de lá, rs! A vista da varanda também era muito bonita. Dava até para ver o mar. s2 O atendimento foi bom e o café da manhã simplesmente delicioso! Tinha frutas, iogurtes, sucos naturais, vários tipos de pães e bolos... e até omelete e tapioca feitos na hora! Acho que essa era a melhor parte do dia! Também solicitei alguns jantares (que são pagos à parte) e achei tudo delicioso e com uma apresentação caprichada. A única coisa que não gostei foi da piscina. Ela era pequena, ficava em uma área coberta e ao lado do salão do café da manhã. Ou seja: não dava para tomar sol e nem havia privacidade para usá-la. Mas de resto, foi tudo perfeito!

Comfort Hotel Aracaju
Meu quarto (à esquerda) e piscina (à direita)
Vista da varanda do quarto

Assim que cheguei na cidade, fui caminhar pelo calçadão mais famoso de Aracaju: a Orla do Atalaia. Ele tem aproximadamente seis quilômetros de extensão e boa parte dos atrativos turísticos, de lazer e de entretenimento da cidade está localizado aí. Pertinho da Pousada Águas Douradas ficava o Centro de Arte e Cultura José Inácio e esse foi o primeiro local que conheci. Esse centro cultural é uma espécie de galpão onde há diversos boxes que comercializam artesanato regional. É o típico local para comprar lembrancinhas. Vi muitas peças lindas, mas infelizmente não comprei nada. Caminhei mais um pouquinho e cheguei na enorme Praça de Eventos, que, como o próprio nome diz, é onde acontecem os principais eventos da cidade. Logo em seguida, avistei uma área muuuito linda onde haviam alguns lagos, conhecidos como Lagos da Orla. Essa parte do calçadão é super bucólica e perfeita para relaxar.

Centro de Arte e Cultura José Inácio
Lagos da Orla

Em frente aos lagos fica outro lugar que eu estava ansiosíssima para conhecer: o Oceanário de Aracaju. Esse oceanário faz parte do Projeto Tamar. Quem acompanha o blog sabe que sou a-p-a-i-x-o-n-a-d-a por tartarugas e super fã desse projeto! Já fui no de Ubatuba (SP), Florianópolis (SC), Praia do forte (BA), Fernando de Noronha (PE) e Vitória (ES). E é claro que eu tinha que conhecer o de Aracaju também. A estrutura do oceanário é ótima e super bonitinha. Há alguns tanques com tartarugas e tubarões (semelhantes aos encontrados em outras unidades do Tamar), muitas plaquinhas informativas, anfiteatro, palco para eventos e diversos aquários repletos de peixes e outros bichinhos que vivem no mar. Esses aquários são um diferencial muito legal dessa unidade do Tamar! Ah, e em um determinado horário do dia é possível acompanhar a alimentação dos bichinhos.

Oceanário de Aracaju
Os diversos tipos de tartarugas
O tanque dos tubarões
Linda!

Continuei minha caminhada e cheguei no local mais famoso e fotografado desse calçadão: os Arcos do Atalaia. Esses arcos (que tem mais de dez metros de altura) foram erguidos para representar as diversas fases da construção dessa orla, que é considerada o maior centro de lazer e entretenimento de todo o nordeste. Sinceramente acho que a Orla do Atalaia super merece esse título! Já visitei o calçadão de diversas capitais do nordeste e em nenhuma eu encontrei uma infraestrutura tão completa quanto a do Atalaia. Além desses atrativos que citei, também há quadras de tênis, campos de futebol, pista de skate, aparelhos de ginástica, ciclovia, banheiros, parque de diversões, kartódromo, pista de cooper e muitos outros atrativos espalhados por toda sua extensão. E tudo é muito bem cuidado, organizado e limpinho!

Essa parte da orla é a mais movimentada e, consequentemente, é o trecho da Praia do Atalaia mais movimentado também. Me perdoem os apaixonados por Aracaju, mas sinceramente não gostei muito dessa praia... Quando estive por lá, ela estava bastante suja e com música muuuito alta. Não dava para relaxar e curtir o barulhinho do mar. E também ouvi comentários de assaltos nos trechos de dunas, onde é mais vazia e isolada.

Ali pertinho dos arcos começa outro ponto turístico bastante conhecido na cidade: a Passarela do Caranguejo. Essa passarela nada mais é do que uma rua com diversos restaurantes e bares onde são servidos os pratos mais tradicionais da região. Como não gosto de peixes e nem de frutos do mar, acabei não provando nada, mas já li vários comentários que há excelentes restaurantes por ali.

Arcos do Atalaia
Praia do Atalaia
Passarela do Caranguejo

Além dessa região da Orla do Atalaia, Aracaju também tem como atrativo turístico alguns museus e construções históricas que ficam na região central. Muita gente não sabe, mas Aracaju foi uma das primeiras cidades planejadas do Brasil e foi construída exclusivamente para ser a nova capital de Sergipe (que antes era a cidade de São Cristovão). As ruas ali do centro são curiosamente traçadas na forma de um tabuleiro de xadrez. O acesso a essa região é bem fácil, tanto para quem está de carro, como para quem está a pé e depende de transporte público. No calçadão da orla há um ônibus que pára quase em frente ao Museu da Gente Sergipana, local onde o passeio pode ser iniciado.

Esse museu fica dentro de um prédio histórico muuuito bonito, tombado como patrimônio. Antigamente aí funcionava o Colégio Atheneu Pedro II, inaugurado em 1926. Sua arquitetura é eclética: há elementos clássicos, medievais e barrocos. Ele foi restaurado para abrigar o museu e ganhou instalações expositivas modernas, com diversos recursos interativos e tecnológicos, tornando-se o primeiro museu de multimídia interativo do norte e nordeste. Cada sala é temática e mostra um pouquinho das manifestações folclóricas, símbolos, natureza, artes, história, memória, culinária, festas e costumes dos sergipanos. E em cada uma delas há sempre um monitor para te recepcionar e dar informações. Do lado de fora há o restaurante Café da Gente. Adorei esse museu e na minha opinião é um dos melhores atrativos culturais da cidade! Ah, e a entrada é gratuita (pelo menos quando eu fui era, rs)!

Museu da gente sergipana
Algumas das salas do museu
A sala dos cordeis
Bonecos da Companhia Mamulengo de Cheiroso

Lá do museu fui para a Praça Almirante Barroso, uma das maiores e mais importantes de Aracaju. Ela fica de frente para o bonito Rio Sergipe e para a histórica Ponte do Imperador Dom Pedro II (que na verdade não é uma ponte, rs). Esse ancoradouro foi construído especialmente para receber o barco de Dom Pedro II, durante uma visita à cidade no ano de 1860. Aí nessa mesma praça fica outra construção histórica: o Palácio Olímpio Campos. Ele foi erguido em 1859 para sediar o Governo do Estado e tem uma arquitetura super bonita, em estilo eclético. Atualmente, funciona como museu e disponibiliza visitas guiadas gratuitas. Gostei bastante de conhecê-lo! O acervo é composto de obras de arte, documentos e fotografias históricas, mobiliários da época, maquete do início da construção da cidade e muitos outros objetos que contam a história política e cultural de Aracaju.

Praça Almirante Barroso
Ponte do Imperador Dom Pedro II
Palácio Olímpio Campos
Interior do palácio

Perto daí há outro local muito importante: a Praça Olímpio Campos. Nela acontece uma feirinha de artesanato bem em frente à Catedral Metropolitana de Aracaju. Essa igreja é muito bonita e estava sendo restaurada durante minha visita. Ela foi construída em 1862 e tem estilo neoclássico e neogótico. Aí nessa mesma praça fica o Centro de Turismo. Essa outra construção histórica abriga boxes que comercializam as famosas e tradicionais rendas de Sergipe (que inclusive são tombadas como patrimônio cultural). O local estava passando por reformas e o acesso estava meio complicado, mas adorei poder ver de pertinho o trabalho lindíssimo das rendeiras!

Caminhei mais um pouco, passei pelo Centro Cultural de Aracaju (mas não entrei) e cheguei no Mercado Municipal, que na verdade são três mercados diferentes. Nos mercados tem de tudo: artesanato, lembrancinhas, floricultura, restaurantes, frutas, legumes e verduras, carnes, farinhas, doces... É tanta coisa que fica até difícil decidir o que comprar, rs.

Catedral Metropolitana (à direita) e Centro Cultural de Aracaju (à esquerda)
Um dos mercados municipais

Dali do centro peguei um ônibus e desci na entrada do Parque da Cidade. Esse parque é enorme e uma das poucas áreas de Aracaju que ainda tem Mata Atlântica preservada. Como fica um pouco afastado do centro (na zona norte, no entorno do Morro do Urubu), quase não recebe visitantes e turistas. O atrativo mais legal (na minha opinião) é o teleférico, que liga a parte baixa à parte alta do parque. A vista durante o passeio é muito bonita! Dá para ver alguns prédios da cidade, muito verde e os bichinhos de um mini zoológico que também fica dentro do parque. O desembarque acontece no Mirante da Santa, onde há uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Como há muita vegetação ao redor, não dá para ver nenhuma paisagem... Ouvi falar de uma trilha que tem por ali que termina em uma rampa de voo livre com uma vista deslumbrante, porém várias pessoas me orientaram a não fazer essa trilha devido aos assaltos frequentes. É uma pena não poder desfrutar de um belo mirante natural por causa de falta de segurança...

Entrada do Parque da Cidade
Passeio no teleférico
Vista da cidade

Além da Orla do Atalaia, Aracaju possui outro calçadão inaugurado recentemente, o Calçadão Formosa Aracaju. É claro que ele não tem o mesmo tamanho e nem a mesma infraestrutura do Atalaia, mas é um local muito bonito para passear ou praticar atividades físicas. Ali pertinho fica o Mirante Treze de Julho. Esse mirante é outro ponto turístico e fica beirando o Rio Sergipe. Infelizmente não consegui visitá-lo, pois estava interditado no dia em que estive por lá.

Calçadão Formosa Aracaju
A infraestrutura do calçadão é ótima
Mirante Treze de Julho

Outros dois lugares que gostei bastante de conhecer foi a Ilha dos Namorados e a Crôa do Goré, localizados no litoral sul da cidade. A Ilha dos Namorados é uma grande ilha que fica entre o Rio Vaza Barris e o mar. Já a Crôa do Goré é um banco de areia que só aparece quando a maré do rio está baixa. Esses dois lugares são acessíveis apenas por barco, que sai da Orla do Pôr do Sol, no povoado Mosqueiro. Se você estiver de carro, pode ir por conta própria até essa orla e comprar o ticket direto no guichê do catamarã (eles também vendem pelo site) ou com o pessoal das lanchas. Já se estiver a pé, há diversas agências receptivas na região da Praia do Atalaia que oferecem traslado desde o hotel até o local do embarque (ida e volta), juntamente com o ticket do catamarã. Foi dessa forma que conheci a ilha e a crôa. Contratei a agência CrystalTur para fazer vários passeios, inclusive esse, durante minha viagem à Sergipe (se você ainda não viu os posts, clique aqui). Gostei bastante dessa agência e super recomendo!

O catamarã é enorme e tem uma ótima infraestrutura. Há dois pavimentos com banheiros, muitos lugares para sentar, mesinhas, serviço de bordo e (óbvio!) som alto durante todo o passeio (não gostei muito dessa parte). A navegação pelo rio dura uns trinta minutos e é bem agradável. Vi até botos! Quando o barco se aproxima da ilha, a paisagem fica ainda mais paradisíaca!

Catamarã na Orla do Pôr do Sol
Ponte no Rio Vaza Barris
Chegando na Ilha dos Namorados

Fiquei apaixonada por essa ilha. É muito linda e super tranquila! E tem uma boa infraestrutura com quiosque, mesas, cadeiras e até redes dentro d'água para relaxar. Tudo bem simples, mas funcional. Caso você queira mais sossego e privacidade, é só caminhar um pouquinho que logo encontrará um lugar só seu, pois a ilha é bastante extensa e fica praticamente vazia. Ficamos umas duas horas nela e deu para aproveitar bastante. Tomei sol, caminhei, tirei muitas fotos... E o dia estava lindo!

Super vazia e linda!
Um paraíso!
A ilha é cheia de aves

Saímos da Ilha dos Namorados e navegamos mais um pouquinho até a Crôa do Goré. Diferente da ilha, a crôa estava bem cheia. A parada durou uma hora, mais ou menos, mas como o tempo começou a ficar nublado, quase não aproveitei essa parte do passeio. A única coisa que fiz foi caminhar (pois a maré estava bem baixa), tirar fotos e me assustar com os milhares de caranguejos e gorés (uma espécie de crustáceo comum nessa região) que moram por lá, rs. Voltamos para a orla no meio da tarde e de lá seguimos para os hotéis. Adorei fazer esse passeio!

Crôa do Goré
Tinha muitos desses na ilha! Medooo!

Gostei muuuito de conhecer Aracaju! O que mais me impressionou foi a quantidade e diversidade de passeios que é possível fazer por lá. Acho que tem lugares para todos os tipos de viajantes. Há passeios culturais, históricos, naturais... Tem de tudo um pouco! E como Sergipe é o menor estado brasileiro, é super possível fazer um bate-volta para os estados vizinhos. Em questão de horas você pode dar um pulinho na Bahia ou em Alagoas. E isso é muito bom, pois enriquece ainda mais a viagem! Gostei de quase tudo que conheci nesses oito dias e, por incrível que parece, ainda ficou faltando visitar diversos lugares. Não fui nas cidades históricas de São Cristovão (a primeira capital de Sergipe) e Laranjeiras, na Praia do Saco, não vi o entardecer na Orla do Pôr do Sol, não fiz passeio de barco pelo Rio Sergipe... Enfim, infelizmente não deu tempo. Fica pra próxima!


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