CAMPO GRANDE: A capital do Mato Grosso do Sul

Viagem realizada em abril/2018


Campo Grande foi a primeira cidade que conheci no Mato Grosso do Sul. Vi uma promoção de passagem aérea e é claro que eu não ia perder a chance de ticar mais um estado da minha listinha, né? A ideia inicial era ir pra Bonito ou pro sul do Pantanal (a parte norte eu já conheci nessa viagem aqui). Mas aí comecei a pesquisar o preço dos passeios e percebi que não ia rolar... Fazer passeios com agências receptivas é ótimo, mas geralmente saem mais caros do que ir por conta própria. E essa viagem aconteceu em uma época bem apertada (financeiramente) da minha vida. Meu objetivo era fazer passeios econômicos, de preferência em locais gratuitos, onde eu pudesse ir sozinha ou usando transporte público. Só por causa disso não rolou ir pra Bonito e pro sul do Pantanal, mas um dia vai dar certo. Tenho fé!

A capital do Mato Grosso do Sul se enquadrou perfeitamente na viagem que eu estava buscando. Ela tem vários atrativos (naturais e culturais) e boa parte deles são gratuitos ou cobram uma pequena taxa de visitação. Fiquei quatro dias por lá, sendo que em um deles fiz um bate-volta para Aquidauana, Anastácio e Miranda (em breve o post dessas cidades estará aqui no blog também). Por causa desse bate-volta, dividi minha estadia em dois hotéis: um mais próximo da rodoviária e outro bem no centro, pertinho do aeroporto. Parece estranho, mas a logística funcionou super bem!

A hospedagem próxima da rodoviária foi o Hotel Bellagio (dava até para ir a pé). Esse hotel me surpreendeu! Ele foi inaugurado recentemente e tudo era novinho. Gostei do atendimento, do preço da diária (super em conta pela qualidade do que oferece), do café da manhã (era simples, mas com produtos fresquinhos e feitos com carinho) e do sinal do wifi (funcionou super bem todos os dias). Meu quarto também era bastante confortável. A única parte mais ou menos é que não havia nenhum comércio por perto e essa região no entorno da rodoviária não é muito "amigável".

Já a hospedagem do centro foi o Hotel Galli. Ele é super bem localizado (fica na Avenida Afonso Pena, uma das principais de Campo Grande) e por conta disso consegui fazer vários passeios à pé! O café da manhã foi ok, o wifi funcionou super bem e o atendimento foi bastante simpático, mas não sei se me hospedaria lá novamente. Achei a estrutura bem antiga e simples. É o tipo de hotel apenas para dormir.

Hotel Bellagio
Minha suíte no Hotel Bellagio. Tudo é novinho!
Hotel Galli

Ali na Avenida Afonso Pena é onde está concentrada boa parte dos atrativos turísticos da capital sul-mato-grossense. Pertinho do hotel ficava a Igreja Nossa Senhora Perpétuo do Socorro. Essa igreja teve uma participação muito importante na história de Campo Grande, pois foi após sua fundação, em 1939, que a cidade foi se desenvolvendo ao seu redor (é a construção católica mais antiga da capital). Sua arquitetura foi inspirada em uma igreja italiana. Acho que nunca vi uma construção religiosa com um estilo tão rústico! O revestimento da fachada tem um tom avermelhado e me lembrou barro.

A uns dez minutos de caminhada dessa igreja fica a Praça das Araras. Achei essa praça super comum e seu único diferencial é um monumento enorme com três araras. Li que essas esculturas foram produzidas por um artista plástico para tentar conscientizar a população de preservar essas aves. Acho que deu certo, pois vi muuuitas araras no céu de Campo Grande durante os quatro dias que fiquei por lá. Só não consegui fotografar nenhuma... Elas são muito rápidas! rs

Igreja Nossa Senhora Perpétuo do Socorro
Área externa da igreja (à esquerda) e interior (à direita)
Praça das Araras

A Morada dos Baís é outro ponto turístico e histórico que também fica na Afonso Pena. Dentro desse casarão (que é o primeiro sobrado da cidade e tombado como patrimônio) funciona o Museu Lídia Baís e um centro cultural do Sesc. Esse casarão começou a ser construído em 1913 para servir de moradia à família do comerciante italiano Bernardo Franco Baís. Após sua morte, o local virou pensão, escola de datilografia, lotérica, alfaiataria e, finalmente, um centro cultural. Essa residência ficou famosa por causa do temperamento bastante peculiar de uma de suas filhas, a Lídia Baís. Ali dentro há três salas dedicadas a essa moça que foi uma das primeiras artistas da capital sul-mato-grossense. Gostei bastante de conhecer esse museu! Lídia era uma mulher a frente do seu tempo, que não queria seguir as tradições impostas às mulheres naquela época (casar, ter filhos e virar dona de casa). Essa "rebeldia" a tornou bastante conhecida.

Bem pertinho da Morada dos Baís fica a Casa do Artesão, também localizada em um prédio histórico tombado como patrimônio. Ali dentro estão expostos diversos objetos produzidos pelos artesãos e indígenas da região. Tem muuuita coisa linda, mas infelizmente não comprei nada... Esse casarão foi construído em 1923 e abrigou a primeira agência do Banco do Brasil de Campo Grande. Ainda hoje é possível ver o cofre gigante desse banco ali dentro.

Morada dos Baís (à esquerda) e Casa do Artesão (à direita)
Piso fofo!
Muitos artesanatos lindos!

Ainda ali no entorno da Afonso Pena fica o Mercado Municipal Antônio Valente, o Camelódromo e a Feira Indígena, três importantes locais de compra da cidade. Adorei o Mercadão! Ele é bem grande e tem mais de duzentas bancas e setenta boxes vendendo de tudo um pouco. Gostei bastante de ver a diversidade de temperos, ervas e frutas da região. Queria muito ter provado algum quitute típico da cidade, mas fiz a burrada de ir lá justamente depois do almoço...

A uns dez minutinhos de caminhada do Mercadão fica o Horto Florestal. Esse parque foi tombado como patrimônio por ter participado da história de Campo Grande. Foi aí nessa região que, em 1872, o fundador da cidade (José Antônio Pereira) e sua família resolveram se instalar e construir as primeiras moradias, que posteriormente deram origem à capital. Dei apenas uma passadinha por lá porque achei tudo muito vazio (fiquei com um pouco de receio de caminhar sozinha). Quando estava saindo do parque, vi algumas araras voando. Foi lindo! s2

Voltei para a Avenida Afonso Pena e caminhei mais um pouquinho até a Praça Pantaneira (é meio longe do Horto, são uns vinte minutos andando). Essa praça é uma graça e está repleta de esculturas talhadas em madeira de vários bichos e aves da região. É um lugar bem turístico e perfeito para tirar fotos. As esculturas são do artista Levi Batista.

Horto Florestal
Vi essa construção no meio da caminhada. Muito linda!
Praça Pantaneira
A praça é repleta de esculturas talhadas em madeira

A Rua 14 de Julho é uma travessa da Afonso Pena e lá estão localizados mais dois atrativos: a Igreja São Francisco de Assis (uma das mais lindas de Campo Grande) e a Feira Central. Essa feirinha, quer dizer, feirona só funciona de quarta à domingo e é beeem grande. São mais de duzentos restaurantes e barraquinhas divididos em dois setores: o artesanal e o gastronômico. É difícil até escolher o que comprar ou comer. Essa feira é tão famosa e importante que até foi tombada como patrimônio cultural da cidade. Como fui durante a semana, acabei dando uma passadinha no final do dia e provei o sobá (uma massa com molho, acompanhada de carne, omelete e cebolinha picados). Esse prato típico da região foi criado pelos japoneses que migraram em massa para Campo Grande no início do século XX. Gostei bastante!

Igreja São Francisco de Assis
Interior da igreja
Feira Central
Sobá, um prato típico da região

O ponto turístico mais famoso da cidade é o Parque das Nações Indígenas. Ele fica nos altos da Avenida Afonso Pena, bem pertinho do Shopping Campo Grande. Esse parque também é conhecido como Parque do Prosa e tem uma área super extensa com 119 hectares. Dediquei uma boa parte do dia para conhecê-lo e caminhei bastante, fiquei até cansada! Achei a estrutura excelente e tudo é muito bem cuidado. Tem pista de cooper e de skate, quadras, sanitários, playground... A parte mais bonita (na minha opinião) é no entorno do lago, onde dá para ver essa mistura da natureza com o concreto dos prédios de Campo Grande.

Uma das seis entradas do Parque das Nações Indígenas
O lago e os prédios de Campo Grande ao fundo
Pista de cooper

Outra coisa que adorei fazer foi observar os bichos e aves. Como o parque é uma reserva ecológica, vi cotias, uma família de capivaras, passarinhos e até corujas! Só não consegui encontrar nenhuma arara e nem visitar o Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres). Tentei agendar uma visita, mas me disseram que não estavam fazendo a visita guiada por um tempo indeterminado. Fiquei um pouco chateada, pois queria muito ter conhecido esse local e visto de perto os bichinhos que são tratados ali.

No parque também há alguns monumentos importantes, como o Monumento ao Índio e o Monumento Cavaleiro Guaicuru (estava interditado durante minha visita).

Monumento ao Índio (à esquerda) e uma cotia (à direita)
Aves que vi por lá
Monumento Cavaleiro Guaicuru (à esquerda) e capivaras se refrescando (à direita)

Dentro do Parque das Nações ainda há dois museus. Um deles é o Museu das Culturas Dom Bosco, popularmente chamado de Museu do Índio. Amei conhecer esse local! O acervo é super interessante e a forma como tudo está exposto é bastante moderna. Visitei duas grandes salas, uma com o acervo voltado à história natural (com diversos animais e insetos empalhados, fósseis e minérios) e outra dedicada aos povos indígenas da região (com objetos de uso cotidiano, religiosos e adornos). As duas exposições são muito interessantes e achei que a visita valeu muuuito a pena!

Museu das Culturas Dom Bosco, também conhecido como Museu do Índio
Acervo de História Natural
Um fóssil (à esquerda) e arte indígena (à direita)
Bonecos usados no ritual funerário pelos povos do Rio Uaupés

O outro museu que fica dentro do parque é o MARCO, o Museu de Arte Contemporânea. Ele possui cinco salas, sendo que uma é dedicada ao acervo fixo e as outras quatro a exposições temporárias. Minha visita foi super rapidinha, mas ainda assim gostei de conhecer as pinturas, esculturas e fotografias expostas.

Durante minha caminhada no parque também me deparei com as obras do polêmico Aquário do Pantanal, aquele que deverá (ou deveria) ser o maior aquário de água doce do mundo. A proposta do projeto é super interessante e, pelo que pude ver, sua arquitetura (desenvolvida por Ruy Ohtake) está muito bonita e contemporânea. Porém parece que a construção desse atrativo nunca termina e tem causado rombos e mais rombos no bolso público. Isso tem revoltado (com toda razão) a população.

MARCO, o Museu de Arte Contemporânea
Algumas esculturas expostas
Futuro Aquário do Pantanal

Em Campo Grande também tentei visitar o Memorial da Cultura Indígena, mas infelizmente não consegui... Fui até lá e dei com a cara na porta. Estava fechado! Uma pena... O memorial fica dentro da única aldeia urbana do Brasil, chamada Aldeia Indígena Urbana Marçal de Souza. Estava bastante curiosa para conhecê-lo, mas infelizmente não rolou.

Outro lugar em que estive foi no Parque Ecológico do Sóter, mas acabei não aproveitando tanto a visita. O parque é bem grande e tem uma boa infraestrutura (pista de cooper, playground, sanitários, quadras...), mas estava suuuper vazio! Fiquei com receio de caminhar ali sozinha e acabei indo embora uns vinte minutos depois que cheguei. Era dia de semana e talvez por isso eu tenha sentido esse ar de abandono. Talvez aos finais de semana seja mais movimentado.

Memorial da Cultura Indígena
Parque Ecológico do Sóter
Tava tudo vazio

Gostei de Campo Grande! A capital do Mato Grosso do Sul tem poucos, mas interessantes atrativos. Amei o Museu das Culturas Dom Bosco, a Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, as corujinhas do Parque das Nações e as muuuitas araras que vi voando pelo céu! Achei a estrutura da cidade ótima e consegui me locomover usando apenas transporte público (que funcionou super bem). Outra coisa que me chamou a atenção foi a educação dos campo-grandenses. Fui muito bem tratada em todos os lugares em que estive (até na fila de um restaurante super baratinho e popular). Campo Grande está de parabéns pela hospitalidade!


GOSTOU DE CAMPO GRANDE?
Aproveite que está pertinho de Aquidauana e vá conhecer o portal do Pantanal Sul. Em breve o relato dessa viagem estará disponível aqui no blog.

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