ALCÂNTARA: A cidade que faz a gente voltar no tempo

Viagem realizada em junho/2015


A cidade de Alcântara fica no Maranhão, pertinho de São Luis. Geralmente quem visita a capital maranhense acaba fazendo um bate-e-volta pra lá. É um passeio bem clássico e foi dessa forma que a conhecemos. Ficamos três dias em São Luis e dedicamos um deles para conhecer Alcântara. Essa cidade tem uma história muito interessante. Na época colonial, entre os séculos XVIII e XIX, ela começou a ser planejada e construída para tornar-se a principal e a mais rica cidade da região. No entanto, os planos não deram certo e Alcântara acabou ficando inacabada e esquecida, ganhando um ar de mistério e muitas ruínas centenárias.

A forma mais fácil de chegar até lá é pegar um catamarã no Terminal Hidroviário, que fica no centro histórico de São Luis. Os horários de partida variam de acordo com a maré, por isso é bom se informar um dia antes para confirmar qual o horário de saída e chegada dos barcos. Essa coisa da variação de maré foi algo que me surpreendeu nessa viagem. Descobrimos que o Maranhão é um dos lugares que tem a maior variação de maré do mundo! Fechamos o passeio com o Catamarã Sabor do Mel. Ele saiu do terminal por volta das oito da manhã. A viagem é um pouco tensa, porque o barco balança muito. Vi até algumas pessoas passando mal. Eu não me senti muito a vontade e fiquei um pouco embrulhada e com dor de cabeça. Mas assim que desembarcamos em Alcântara, cerca de 1h30 depois, ficou tudo bem.

Saindo do Terminal Hidroviário, em São Luis
Orla da Praia de Ponta d'Areia
Chegando em Alcântara, depois de 1h30 de viagem

Em frente ao Porto do Jacaré há um centro de informações turísticas, com sanitários, lanchonete e uma lojinha muito legal. Lá também vende um mapa da cidade. É possível conhecer tupo a pé, pois a maior parte dos atrativos ficam próximos. Ao lado desse centro de informações turísticas fica a Ladeira do Jacaré, que dá acesso ao centro histórico da cidade. Nessa ladeira já é possível ver vários casarões históricos e algumas ruínas.

Desembarcando no Porto do Jacaré
Ladeira do Jacaré

A ladeira termina na Praça das Mercês, onde há uma capelinha muito bonitinha chamada Capela de Nossa Senhora das Mercês. Essa capela foi construída em cima das ruínas de um antigo convento. Em um primeiro momento, o prédio funcionou como mercado e somente depois como capela. Contornando essa praça e seguindo pela Rua das Mercês, conhecemos outra capela, a Capela Nossa Senhora do Desterro (não se sabe ao certo o ano de sua construção). Atrás dela há um mirante muito bonito, com vista para a Ilha do Livramento e a Baía de São Marcos.

Praça das Mercês e a Capela de Nossa Senhora das Mercês
Vista do Mirante que fica atrás da Capela Nossa Senhora do Desterro

A Rua das Mercês termina na praça mais famosa de Alcântara: a Praça da Matriz. Ela é bem grande e abriga as ruínas da Igreja de São Mathias (começou a ser construída no século XVII, mas nunca foi finalizada, é o ponto turístico mais famoso da cidade) e o antigo Pelourinho (era usado para castigar os escravos, é o único pelourinho preservado do país). Nessa praça também estão localizadas outras construções muito importantes, como o Museu Casa Histórica de Alcântara (localizado em um sobrado colonial, abriga boa parte do mobiliário, prataria, vestuário, entre outros objetos da família que morava lá), o Museu Histórico de Alcântara (o acervo é composto de peças de arte sacra e mobiliário do século XVIII e XIX) e a Casa de Câmara e Cadeira (onde hoje funciona a Prefeitura, o prédio é do final do século XVIII).

Ruínas da Igreja de São Mathias
Casarões na Praça da Matriz
Museu Casa Histórica de Alcântara
Casa de Câmara de Cadeia, onde hoje funciona a Prefeitura

Seguimos pela Rua da Amargura e avistamos inúmeros casarões revestidos de azulejos portugueses. Apesar de nem todos estarem restaurados, os azulejos e a arquitetura das construções são muito bonitos! Há muitos séculos, as famílias mais ricas da cidade viviam nessa rua. Quase no finalzinho dela fica mais um ponto turístico super visitado: as ruínas dos palácios Negro (onde funcionava um mercado de escravos) e dos Imperadores I e II. Esses palácios dos Imperadores tem uma história que me chamou muito a atenção. Naquela época, Dom Pedro II marcou uma visita à Alcântara. Os dois barões rivais da cidade (Pindaré e Mearim) começaram a construir simultaneamente os dois palácios, disputando quem hospedaria Dom Pedro. No entanto, ele acabou cancelando a viagem e os palácios permaneceram inacabados desde aquela época. Em frente dessas ruínas fica a Igreja Nossa Senhora do Carmo. Ela foi construída no final do século XVIII e tem estilo barroco. Na parte superior há um mirante com uma vista muito bonita, mas cobra-se uma pequena taxa para visitação.

Ruínas do Palácio do Imperador
Igreja Nossa Senhora do Carmo

Entrando na Rua Direta, há mais construções em ruínas, como a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis (começou a ser construída no início do século XIX). Nessa rua também ficam a Igreja de Nossa Senhora dos Pretos (é bem singela e foi construída pelos escravos, abriga os famosos tambores de crioula) e a Casa de Cultura Aeroespacial (é um pequeno museu sobre o Centro de Lançamentos de Alcântara que fica a alguns quilômetros dali).

Casarões na Rua Direita
Igreja de Nossa Senhora dos Pretos
Foguete na Casa de Cultura Aeroespacial

Depois de caminharmos por todas essas ruas de Alcântara, paramos um pouquinho para almoçar e descansar. Também compramos alguns doces de espécie (é um doce típico da região, parece um bombocado de coco) e alguns artesanatos na lojinha do centro de informações turísticas.

A volta para São Luis foi mais tranquila, pois o mar estava menos agitado. Porém quando estávamos chegando no terminal hidroviário, o catamarã atracou na Praia da Ponta d'Areia. Para nossa surpresa ele não seguiu até o terminal, onde havíamos embarcado pela manhã. Todo mundo começou a desembarcar e nós ficamos lá, sentadas, sem saber o que estava acontecendo. Depois de um tempo descobrimos o motivo: a maré baixou tanto que o barco não conseguia seguir viagem. Uma van nos buscou no calçadão da praia e nos levou até o terminal. Chegando lá tivemos uma visão super impressionante: o mar que banhava toda a orla do centro histórico havia sumido, literalmente, rs! Foi aí que descobrimos que o Maranhão tem uma das marés mais variáveis de todo o mundo. Nos disseram que ela pode subir/descer de 5 a 8 metros mais de uma vez ao dia. Foi impressionante e muito curioso!

Desembarcando na Praia da Ponta d'Areia
O mar sumiu no Terminal Hidroviário, em São Luis

Gostei muito de Alcântara! Fiquei apaixonada pelos azulejos portugueses. Apesar de não estarem tão bem preservados, achei tudo muito bonito e colorido. Também gostei da curiosa história das ruínas dos palácios e da imponente Igreja de São Mathias. Fiquei com muita vontade de visitar as ilhas e praias da região, mas infelizmente não tivemos tempo hábil para isso. Não sei se conseguiria pernoitar em Alcântara e passar mais um dia por lá. A cidade me pareceu muito pacata. Acho que iria me entediar. Um dia foi o suficiente! rs


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