BELÉM: Como não se surpreender e amá-la?

Viagem realizada em março/2015


Belém foi uma surpresa na minha vida! A gente decidiu ir assim, de uma hora para outra, sem nada programado. Não era férias, não era feriado, não era nada. rs Vimos uma promoção de passagem aérea i-m-p-e-r-d-í-v-e-l e nem pensamos duas vezes! Lá fomos nós conhecermos nossa primeira cidade da região norte do Brasil. E tudo em apenas um final de semana. Sim! Parece loucura, mas fizemos um bate-e-volta para Belém. E foi ótimo! E tão intenso, tão cheio de novidades, que parece que ficamos mais tempo. É sério!

Saímos de São Paulo na sexta à noite e chegamos em Belém na madrugada de sábado. Esperamos amanhecer e fomos direto para a pousada deixar nossas mochilas. Reservamos apenas uma diária na Residência B&B, que fica na região central de Belém, bem pertinho da maior parte dos pontos turísticos que visitaríamos. O atendimento foi ótimo! As meninas da recepção fizeram de tudo para nos sentirmos em casa. Super simpáticas e atenciosas! Só não gostamos das instalações da pousada... É tudo muuuito simples e sem conforto nenhum, mas achei compatível com o preço que pagamos.

O primeiro lugar que conhecemos foi o Mercado Ver-o-Peso, o cartão postal de Belém. O Ver-o-peso é considerado a maior feira livre da América Latina e fica às margens do Rio Guajará, em uma das áreas mais antigas da cidade. Lá vende de tudo! Tem a seção de roupas, calçados, artesanato, culinária regional, temperos, frutas exóticas, sucos, ervas medicinais, peixes... São centenas de barraquinhas! Mas não pense que é tudo bagunçado. Pelo contrário, rola uma super organização: tudo é separado por seções. Com certeza o Ver-o-Peso é o ambiente perfeito para mergulhar na diversidade cultural e gastronômica do Pará. Nunca vi tantas frutas diferentes juntas! É muito legal!

O Mercado Ver-o-Peso às margens do Rio Guajará
Castanha-do-pará

Ao lado do Ver-o-Peso fica o Mercado Municipal de Carnes Francisco Bolonha, que faz parte do mesmo complexo. A arquitetura é linda! Toda feita com estruturas de ferro. Muito bonita mesmo! No centro do mercado há uma escada caracol maravilhosa! E lá em cima tem um pequeno mirante que dá para ver todo o mercado. Mesmo que você não vá comprar nenhuma carne, é interessante dar uma passadinha por lá.

Escada caracol (à esquerda) e vista do mirante (à direita)

Estação das Docas também faz parte do complexo Ver-o-Peso. Esse outro cartão postal de Belém ocupa três armazéns de ferro que pertenciam ao antigo porto fluvial da cidade. Lá dentro há restaurantes, bares, lojinhas e um espaço para lazer e eventos. É um local muuuito agradável e charmoso! É uma delícia sentar nas mesinhas e ficar olhando o movimento dos barcos e lanchas pelo rio. Esses armazéns são do século XIX e os guindastes que ficam na parte externa vieram dos Estados Unidos no século XX. Também é aí na Estação das Docas que tem o famoso quiosque Cairu. Esses sorvetes são deliciosos e há uma infinidade de sabores regionais para você escolher. Tem de castanha-do-pará (claro! rs), açaí, cupuaçu, taperebá, tapioca, bacaba, muruci e muitos outros! Outra coisa que achei super legal na Estação das Docas foram os palcos suspensos que tem dentro dos armazéns. Nunca tinha visto um igual!

Guindastes na área externa da Estação das Docas
A Estação das Docas é um espaço muito charmoso
Os armazéns do antigo porto de Belém deram origem à Estação das Docas

Ao lado do mercadão ficam alguns dos prédios históricos mais importantes da cidade, como o Forte do Presépio, a Catedral Metropolitana de Belém, a Igreja e Colégio de Santo Alexandre e a Casa das Onze Janelas. Todas essas construções ficam em torno da Praça Dom Frei Caetano Brandão e formam o Complexo Feliz Lusitânia.

O Forte do Presépio (também conhecido como Forte do Castelo) é um marco da colonização do Pará. Ele tem uma importância tão grande para Belém que foi tombado como patrimônio histórico e artístico nacional. Localizado às margens do Rio Guajará, o forte tem uma vista belíssima de toda a baía, inclusive uma visão privilegiada do Mercado Ver-o-Peso. É muito lindo! Em uma das salas da parte interna do forte funciona o Museu do Encontro. Gostei bastante da ambientação desse espaço e dos objetos expostos. A maior parte do acervo é composta de vestígios de objetos dos primeiros habitantes belenenses, além de cerâmicas marajoaras e tapajônicas. Infelizmente não era permitido fotografar lá dentro.

Entrada do Forte do Presépio
Canhões super antigos e vista para a baía Guajará
Olha o tamanho dessas paredes!

Ao lado do forte há mais três construções muito importantes, tanto do ponto de vista histórico, como cultural e arquitetônico (e também foram tombadas como patrimônio nacional). A Catedral Metropolitana de Belém é um dos símbolos mais importantes da fé do povo paraense. Essa igreja recebe milhares de fiéis durante o Círio de Nazaré, pois é daí que parte essa procissão que é uma das maiores e mais belas do Brasil e do mundo! A catedral foi construída no século XVIII, tendo como base um projeto de um arquiteto italiano. Ela é altíssima e tem vários aspectos barrocos em seu exterior. Já na parte interna, predominam os elementos do estilo neoclássico. Na mesma praça também estão a Igreja e Colégio de Santo Alexandre (onde funciona o Museu de Arte Sacra do Pará) e a Casa das Onze Janelas (onde funciona um espaço cultural). Não cheguei a visitar o interior de nenhum dos dois espaços.

Catedral Metropolitana de Belém
Igreja e Colégio de Santo Alexandre
Casa das Onze Janelas

Caminhamos bastante pelas ruas estreitas da Cidade Velha, o bairro histórico de Belém. Há vários casarões em estilo português, ainda da época colonial, revestidos com aqueles típicos azulejos coloridos. Porém a maior parte deles está literalmente caindo aos pedaços. É muito triste ver um patrimônio histórico tão rico se perdendo desse jeito. São pouquíssimas construções que estão restauradas e bem cuidadas.

Casarão lindo que precisa de uma restauração urgente (na foto não parece, mas ele está bem caidinho)
Uma pequeníssima parte da Cidade Velha foi restaurada

Outra igreja muito bonita que visitamos, mas que não fica na Cidade Velha, foi a Basílica de Nazaré. Assim como a Catedral Metropolitana, essa construção também é um dos maiores símbolos da fé dos paraenses. O Círio de Nazaré, que começa na Cidade Velha, termina em frente a essa basílica. Ela foi construída no início do século XX e tem vários elementos em estilo neoclássico em sua fachada. É muito bonita!

A Basílica de Nazaré estava em reformas quando visitamos
A basílica é um dos maiores símbolos da fé do povo paraense

O Theatro da Paz também é um dos cartões postais mais visitados em Belém. Ele é lindo por dentro e por fora! E um dos mais luxuosos do Brasil. Fizemos uma visita guiada muito legal! Conhecemos o hall de entrada, o salão nobre e o salão de espetáculos (a parte mais linda). Esse teatro possui novecentos lugares, uma acústica impressionante, alguns lustres de cristal, várias obras de arte e afrescos e até elementos revestidos em ouro. Muito chique! O guia também nos contou um pouquinho da sua história, que achei muito interessante, pois ele simbolizou um marco do auge do Ciclo da Borracha. Durante esse período, Belém teve um grande crescimento econômico e a sociedade da época ansiava pela construção de um teatro. Eles queriam um local onde pudessem assistir a espetáculos líricos (coisa fina, né? rs). O governante daquele período atendeu aos pedidos e providenciou a construção, inspirando-se no Teatro Scalla de Milão, que fica na Itália. Essa construção foi algo muuuito grandioso para a época e até hoje impressiona!

Theatro da Paz, super imponente
Interior do teatro
Detalhes da escadaria

Gostei muito da parte histórica, arquitetônica e cultural de Belém, mas confesso que o que fez com que me apaixonasse por essa cidade foi a fauna e a flora da região (que são típicas da Amazônia). Visitamos dois parque que amei: o Museu Paraense Emílio Goeldi e o Mangal das Garças. Os dois são enormes áreas verdes dentro da cidade.

O Museu Paraense Emílio Goeldi fica em uma espécie de Jardim Botânico Amazônico. Trata-se de um espaço para exposições temporárias muito interessante (quando fui havia uma sobre uma tribo indígena). Mas o que mais gostei foi da área externa do museu. Além de muitas plantas, árvores e flores da região, há vários bichinhos soltos pelo parque. Também há algumas áreas onde alguns animais ficam expostos (tipo um zoológico). Vi cotias, tartarugas, macaquinhos, vários tipos de aves, jacarés e muitos outros. Nesse parque também há um lago com vitórias-régias. Elas são lindas!!! Eu nunca tinha visto uma vitória-régia. São enooormes! Fiquei muito surpresa! Simplesmente amei esse lugar e não queria mais ir embora! rs

Trilhas dentro do parque, a vegetação é típica da região amazônica
Seringueira
As lindas (e enooormes) vitórias-régias
Cotia fofinha, elas ficavam soltas pelo parque

O outro parque que amei foi o Mangal das Garças! Ele está localizado às margens do Rio Guamá e possui mais de quarenta mil metros quadrados de fauna e flora típicas do Pará. É um local muito bem cuidado e com um incrível paisagismo. Logo na entrada já fomos surpreendidos por iguanas que andam soltas pelo parque. Elas são lindas e eu não conseguia parar de fotografá-las (pra variar... rs)!

Entrada do Mangal das Garças
As iguanas ficam soltas pelo parque

Também há um lago muito bonito onde ficam vários tipos de aves, como garças, flamingos, guarás, tuiuiú, patos, entre outros bichinhos. Todos convivem pacificamente, o que achei muito legal. As garças dão um show! Ficam voando pra lá e pra cá o tempo todo. É encantador! Um dos principais objetivos do Mangal é mostrar um pouquinho de cada tipo de fauna e flora existentes no Pará: as matas de terra firme, as de várzea e os campos.

Lago cheio de flamingos
Os guarás
É um tuiuiú, de verdade! s2
Mamãe e filhote, lindos!

Lá no Mangal também há alguns espaços especiais como o Borboletário José Márcio Ayres (é bem legal, tem muitas, muitas espécies de borboletas), o Farol de Belém (quando fui estava fechado para manutenção, uma pena...), o Viveiro das Aningas (não visitei) e o Memorial Amazônico da Navegação (é um museu com vários tipos de barcos, o meio de transporte principal da Amazônia). O acesso a esses espaços são pagos.

Borboleta olho-de-coruja, lá no borboletário

Como o Mangal fica às margens do Rio Guamá, há um mirante com uma vista lindíssima para esse rio. Também dá para ver uma parte do centro histórico de Belém. É um lugar muito bonito mesmo, que transmite muita paz! O acesso é feito em uma passarela de madeira super rústica, que dá um clima todo especial ao lugar, deixando-o completamente integrado à natureza. Ao lado desse mirante, há um restaurante muito bonito também: o Manjar das Garças, mas não cheguei a almoçar por lá. Outro espaço interessante é o Armazém do Tempo. Ele fica logo na entrada do parque e funciona como uma lojinha, onde é possível comprar muitos objetos artesanais produzidos pelas várias tribos indígenas da região.

Mirante com vista para o rio Guamá
Rio Guamá, um paraíso

Eu amei Belém!!! Fiquei completamente apaixonada por quase tudo que vi nesses dois dias. Adorei as frutas exóticas, a simpatia e simplicidade dos moradores, o clima, os rios que me transmitiram tanta paz e, principalmente, a fauna e a flora tão diferentes que vi por lá. Era um bichinho mais fofo que outro! Queria levar todos para casa!


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