SALESÓPOLIS: O Rio Tietê nasce aqui!

Viagem realizada em dezembro/2025


A primeira vez que ouvi falar de Salesópolis foi durante uma aula de geografia lá no ensino fundamental. Foi exatamente neste dia que descobri que o rio mais importante do estado de São Paulo, o Rio Tietê, nasce nessa pequena cidade do interior paulista. Apesar de não ter uma memória tããão boa, acabei guardando essa informação por anos. E não é que um dia eu e meu cachorrinho Bartolomeu fomos turistar por lá? Salesópolis fica a mais ou menos cem quilômetros de distância da capital paulista, mais exatamente entre Mogi das Cruzes e Caraguatatuba, em uma região conhecida como Alto Tietê. Como ali já é a Serra do Mar, a cidade é repleta de natureza e possui inúmeras cachoeiras, represas, mirantes, parques e trilhas. Além dessas belezas naturais, também há atrativos históricos e culturais, e uma ótima gastronomia. Ou seja, Salesópolis oferece tudo que Pés na Areia gosta!

A escolha desse destino aconteceu bem aleatoriamente e vou explicar o porquê. Bartolomeu está idoso e com alguns probleminhas de saúde. Por conta disso, não estou desgrudando dele e decidi levá-lo comigo nas viagens. O único obstáculo nisso tudo é que eu não dirijo e ele não cabe nas caixas de transporte padrão das empresas de ônibus rodoviário (e nem nas das companhias aéreas). Como sou brasileira e não desisto nunca, acabei encontrando uma alternativa. Descobri que os ônibus urbanos daqui da capital (e também o trem e o metrô) são mais flexíveis em relação ao tamanho da caixa de transporte. Mesmo ela sendo um pouquinho maior, consigo embarcar com ele tranquilamente. E isso também vale para os ônibus intermunicipais e esse detalhe é o pulo do gato, rs. Com o combo trem + ônibus intermunicipal tenho conseguido viajar com ele para vários lugares próximos à capital, incluindo Salesópolis. Ali na Estação Mogi das Cruzes há uma linha de ônibus (o 311 - Salesópolis/Mogi das Cruzes, da viação Unileste) que vai até Salesópolis. A viagem dura aproximadamente noventa minutos e, apesar de um pouco demorada, foi bem tranquila.

Salesópolis é repleta de natureza

Para aproveitar nossos cinco dias na cidade, escolhi me hospedar na Pousada Quintal das Hortênsias. Já adianto que amei a experiência e super recomendo! Começando pela localização. Ela fica na área rural de Salesópolis, mas bem pertinho da região central (coisa de uns quatro quilômetros de distância). Um detalhe legal para quem vem de ônibus é que a parada final da linha Salesópolis/Mogi das Cruzes fica ali próximo (no Trevo da Petrobrás). Não dá nem dez minutos andando! Ou seja, foi muito fácil (e econômico) me locomover de transporte público, seja para ir ao centrinho ou à Mogi das Cruzes. Outro diferencial é que a pousada fica em uma área verde enooorme rodeada de montanhas. Até um pedacinho do Rio Paraitinga passa por lá, acredita? Antigamente todo esse espaço era uma fazenda e apenas recentemente se transformou em hospedagem. 

A Pousada Quintal das Hortênsias é super intimista e há somente quatro suítes por lá. Elas ficam dentro de um belíssimo casarão colonial histórico, onde funcionava a sede da antiga fazenda. A suíte em que fui acomodada era bem espaçosa e me atendeu perfeitamente. Havia uma cama king size, frigobar, televisão, aquecedor, mesinha com cadeiras, secador de cabelo, espelho grandão, um bom sinal de wi-fi e uma varandinha MUITO charmosa. O banheiro também era ótimo, com uma ducha bem forte e quentinha. O café da manhã foi mais um ponto positivo da hospedagem! Ele era servido no charmoso Quintal Bistrô, um outro espaço cheio de histórias (ele abrigava a residência do caseiro da antiga fazenda). No buffet self-service haviam frutas, iogurtes, sucos, pães, bolos, ovos mexidos (feitos na hora)... Gostei de tudo que provei e dava para sentir que era preparado com carinho. Todo dia era uma comilança sem fim! rs

Além da área verde, a pousada também possui uma piscina climatizada, uma área gourmet com churrasqueira, algumas opções de trilhas (dentro da propriedade) e diversos cantinhos charmosos e instagramáveis, perfeitos para relaxar e praticar o nadismo. Apesar da hospedagem ser exclusiva para casais, eles também recebem outros tipos de viajantes e até grupos. Ah, e por falar em receber, todo o atendimento é feito pelos próprios donos, um casal simpaticíssimo. Fui MUUUITO bem acolhida (e o Bartolomeu também, eles são super pet friendly)! 

Pousada Quintal das Hortênsias
Suíte em que fui acomodada
Varandinha com vista para a natureza
Espaço gourmet (à esquerda) e piscina climatizada

Como comentei no início do post, Salesópolis possui atrativos turísticos bastante diversificados e eles estão espalhados pelas áreas rural e urbana. Comecei meu passeio pela região central, mais exatamente no Portal Artístico, que fica na entrada principal da cidade (na rodovia que liga Salesópolis à Mogi das Cruzes). Eu adoro portais e achei este de Salesópolis uma graça, super bem cuidado e com uma arquitetura bem bonitinha! Ele foi construído no início da década de 1990 e desde então é considerado um dos locais mais visitados da cidade. Em uma das salas do pavimento inferior funciona o Posto de Informações Turísticas (também conhecido como PIT) e no pavimento superior há um singelo mirante. O local também possui sanitários, bebedouro e um pequeno estacionamento.

Perto dali há dois letreiros (com o nome da cidade) perfeitos para fotografar. Um deles fica quase colado ao portal, coisa de uns cinquenta metros de distância, sentido Mogi. Já o outro fica um pouco mais distante, a cerca de um quilômetro, sentido centro.

Portal Artístico de Salesópolis
Vista do mirante
Um dos letreiros de Salesópolis

Continuei meu passeio seguindo em direção ao centro e cheguei na Avenida Professor Adhemar Bolina, uma das mais importantes de Salesópolis. Essa avenida margeia o Rio Paraitinga (um afluente do Rio Tietê) e foi super agradável caminhar pelo calçadão. O local é repleto de natureza e transmite muuuita tranquilidade! Por ali também há algumas pontes que dão acesso a outra margem do rio.

Calçadão beirando o Rio Paraitinga
Uma das pontes que dá acesso a outra margem do rio

Pertinho dali fica o charmoso Mercado Municipal de Salesópolis, também conhecido como Espaço Cultural Dita Parente. Sua arquitetura colonial chamou minha atenção de longe, principalmente pelas janelas e portas azuis (minha cor preferida), além do fato de estar super bem preservado. Este casarão que abriga o mercado tem mais de cem anos, acredita? Ele foi muuuito importante no desenvolvimento da cidade e guarda dezenas de histórias desde sua construção. Por falar em construção, esse mercado foi estrategicamente erguido na antiga rota dos tropeiros que viajavam entre o litoral e o interior do estado. Nesta época ele funcionava como uma espécie de centro comercial para os produtores da zona rural, que vendiam seus produtos ali. Atualmente, o local abriga alguns restaurantes típicos e lojinhas de artesanato. Ah, e em determinadas épocas do ano também sedia eventos culturais.

O Mercado Municipal de Salesópolis fica dentro de um belíssimo casarão colonial
Entrada principal
O mercadão abriga restaurante típicos e lojinhas de artesanato

Em frente à entrada principal do mercado fica o histórico Arco das Flores, que antigamente era conhecido como Beco do Mercadão. Este espaço foi revitalizado e atualmente sedia eventos culturais, principalmente mostras de cinema. Pertinho dali há mais algumas construções históricas interessantes, como o Edifício 28 de Fevereiro, que é ocupado pela Prefeitura Municipal. Outro local que vale a visita é o Santuário São José, localizado na Praça Padre João Menendes. Este santuário é a principal igreja da cidade e, como o próprio nome sugere, homenageia São José, o padroeiro de Salesópolis. Sua construção começou em 1909 e só foi concluída dois anos depois, em 1911. A arquitetura da fachada é bem simples e com pouquíssimos adornos, porém o interior é extremamente rico em detalhes! Fiquei encantada com os belíssimos afrescos produzidos pelo artista plástico Antônio Limones, que retratam algumas passagens da vida de José. Ah, quase esqueci de mencionar que em frente à igreja, na praça, há mais um letreiro com o nome da cidade.

Arco das Flores (à esquerda) e casarão histórico (à direita)
A prefeitura de Salesópolis ocupa o Edifício 28 de Fevereiro
Santuário São José
O interior do santuário é belíssimo!

Todos esses atrativos que visitei na região central podem ser acessados a pé, com uma curta caminhada, ou de ônibus urbano (caso você esteja hospedado fora do centro). Apenas o portal é um pouco mais distante, mas ainda assim é acessível. Já os atrativos da área rural ficam beeem mais longe e, infelizmente, não existe a opção de transporte público para chegar até eles. Por conta disso é imprescindível estar motorizado ou contratar alguma agência receptiva. 

Felizmente consegui visitar dois atrativos da área rural graças a uma gentil carona. Um deles foi o Casarão Senzala, que fica na Estrada das Pitas, a uns sete quilômetros do centro. Este casarão é datado do século XVIII e tem por volta de trezentos anos, acredita? Visitar este espaço foi como fazer uma volta ao passado, começando por sua arquitetura, que é bem típica do período colonial. Toda a estrutura foi erguida utilizando-se a técnica milenar de pau a pique e taipa de pilão, trazida pelos portugueses. Este casarão foi construído para abrigar um entreposto comercial e ficava estrategicamente localizado na rota que ligava o litoral norte de São Paulo ao interior do estado. Por ali eram vendidos vários tipos de mercadorias, incluindo pessoas escravizadas vindas do continente africano. Inúmeros objetos e mobiliários desta época estão expostos nos diversos cômodos que compõem o espaço, e eles ajudam a contar e manter viva essa parte tão triste da história de Salesópolis e também do nosso país. Em uma das salas há uma lojinha de artesanato e nos fundos do terreno funciona um renomado restaurante.

Casarão construído no século XVIII
Dentro do casarão há vários objetos e mobiliários da época
O casarão foi erguido em pau a pique e taipa de pilão

O gran finale da minha viagem foi visitar a principal atração turística da cidade: o Parque Nascentes do Tietê. Sempre tive muita vontade de conhecer o local onde o principal rio do meu estado nasce e felizmente esse dia chegou! O parque fica a uns dezesseis quilômetros do centro, em um bairro chamado Pedra Rajada. A visitação é monitorada e (pasmem) totalmente gratuita! Depois de passar pela portaria, um monitor ambiental me acompanhou por um trajeto (com uns cem metros de extensão, chamado Trilha da Nascente) até um pequeno riacho, rodeado por uma densa vegetação de Mata Atlântica. É exatamente neste local onde brotam as primeiras nascentes que formarão o grandioso Rio Tietê (junto com outras milhares de nascentes que o rio vai encontrando pelo caminho até desaguar no Rio Paraná, após percorrer mais de mil quilômetros). Como estou acostumada a ver esse rio poluído desde que nasci (lá na capital paulista), foi MUITO impressionante ver uma água tão cristalina e tão cheia de vida! Neste momento da visitação tive a oportunidade de degustar a água do rio. Jamais imaginei que um dia beberia a água do Rio Tietê. Foi inesquecível! :)

O monitor também me contou que, antigamente, toda essa área das nascentes pertencia a uma fazenda e boa parte da vegetação nativa havia sido completamente devastada. Apenas em 1990 é que o local foi tombado como patrimônio e se tornou uma área protegida. A partir daí foi feito um precioso processo de reflorestamento e, felizmente, foi possível recuperar a mata nativa de toda essa região. Outra curiosidade é que as nascentes estão localizadas a um pouco mais de mil metros de altitude e, ao invés da água correr para o mar (como é o mais comum), ela vai para o interior do estado, passando por mais de sessenta cidades.

Entrada do Parque Nascentes do Tietê
É neste pequeno riacho onde brotam as primeiras nascentes do Rio Tietê
Placa informativa (à esquerda) e local de degustação da água (à direita)

Além da Trilha da Nascente, o parque tem outras três opções de percursos autoguiados: a Trilha do Bosque (a maior de todas, com um quilômetro de extensão, tem nível médio de dificuldade), a Trilha da Pedra (com quase trezentos metros, de nível fácil) e a Trilha da Araucária (a menor de todas, com um pouco menos de duzentos metros, também de nível fácil). Como estava com pouquíssimo tempo disponível (e tendo que carregar o Bartolomeu no colo, rs) optei pela trilha mais curtinha. O trajeto era íngreme, possuía algumas escadarias e muitas, mas muitas araucárias (minha árvore preferida). O tempo todo fui acompanhada pelo canto dos pássaros e por outros barulhinhos bem relaxantes que só a natureza consegue nos proporcionar.

O parque possui três opções de trilhas autoguiadas
Alguns trechos da Trilha das Araucárias
Um pedacinho da Praça do Engenho

O parque também possui um pequeno museu iconográfico onde é possível conhecer um pouco mais sobre o Rio Tietê por meio de painéis explicativos, amostras de água e uma maquete. O que mais me impressionou nessa parte da visita foi ver as amostras de água extraídas nos mais diferentes trechos do rio. É bem impressionante ver a diferença entre a água limpíssima de Salesópolis, por exemplo, e a da cidade de São Paulo, extremamente escura e cheia de sujeira. Torço para que um dia o Rio Tietê fique limpinho novamente em toda sua extensão! Ah, quase esqueci de contar que o casarão que abriga o museu é histórico e pertencia a antiga fazenda. E o parque é pet friendly!!!

O parque também possui um pequeno museu
No museu é possível conhecer alguns detalhes sobre o Rio Tietê
Libélula (à esquerda) e um meliponário (à direita)

Além desses lugares que visitei, Salesópolis tem muitos outros atrativos. Faltou conhecer o Núcleo Padre Dória do Parque Estadual da Serra do Mar, a Usina Hidrelétrica Histórica do Rio Tietê (onde fica o Museu da Energia), o Parque Municipal do Pinheirinho, a Cachoeira do Tobogã, a Cachoeira Porteira Preta, a Cachoeira Zé Bim, a Cachoeira Pedra Branca, a Cachoeira do Ponto, o Alambique Alvarenga, o Alambique Canabella, o Casarão do Café, a Barragem Ponte Nova, o Mirante da Pedra Rachada... É lugar que não acaba mais! rs

Salesópolis me surpreendeu MUITO! Não imaginava que a cidade tivesse tantos atrativos turísticos e uma história tão rica e bem preservada. Também fiquei chocada com a quantidade de natureza! É só sair um pouquinho da região central, que já encontramos montanhas, rios, cachoeiras e diversas opções de atividades de ecoturismo. Foi muito impressionante e gostoso de ver! Nem preciso comentar que o Parque Nascentes do Tietê foi o meu lugar preferido, né? Amei ver de pertinho o local onde esse importante rio nasce e degustar sua água tão pura e cristalina! Outro ponto alto foi a escolha da hospedagem, que por si só já valeria a viagem. Foi uma delícia passar esses dias na Pousada Quintal das Hortênsias! O contato com a natureza, as belas paisagens, o casarão histórico, o delicioso café da manhã, o atendimento acolhedor, a varandinha charmosa... Só de lembrar desses detalhes já fico com vontade de voltar. s2


GOSTOU DE SALESÓPOLIS?
Aproveite a viagem e conheça Guararema e Paraibuna. Essas duas cidades ficam bem próximas.

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