BONITO: Não é bonito, é lindo!

Viagem realizada em setembro/2019


Bonito é um dos melhores destinos de ecoturismo do Brasil e viajar para lá foi uma das experiências mais impressionantes que já tive. Foram cinco dias com tantas atividades e paisagens incríveis (sem falar dos bichinhos) que demorei para assimilar tudo que tinha vivido e escrever esse post. Mas vamos começar do começo: Bonito estava na minha wishlist há muuuito tempo. Confesso que demorei para programar essa viagem por causa dos preços altíssimos dos passeios. Eu sempre me assustava, rs. Levei meses pesquisando e me planejando financeiramente para fazer tudo acontecer. E já adianto que valeu cada centavo gasto!

Bonito fica no Mato Grosso do Sul, a uns trezentos quilômetros de Campo Grande, a capital do estado. Apesar da distância, é bem tranquilo chegar na cidade. Se você estiver sem carro, pode pegar uma van (ali no aeroporto mesmo) ou um ônibus na rodoviária. Fiz o trajeto ida e volta com a Vanzella Transportes e foi super prático. Eles possuem um guichê exclusivo perto da área de desembarque do aeroporto e os transfers saem em uns quatro horários diferentes por dia (é sempre bom ligar e reservar com antecedência). Peguei a última van (era a das 19h, mas demorou para sair por causa de um atraso no vôo) e cheguei em Bonito por volta da uma da manhã. Outra praticidade da van é que ela te deixa na porta do hotel/pousada. Recomendo!

A escolha da hospedagem também foi fácil. Bonito possui uma excelente estrutura turística e há opções de hotéis/pousadas para todos os bolsos e estilos. Como já ia gastar bastante com os passeios, optei por uma das pousadas mais econômicas, a Pousada São Jorge, e tive uma ótima experiência! Começando pela localização, que é excelente! Ela fica na rua principal da cidade, perto dos restaurantes, das lojinhas e do comércio em geral. A estrutura da pousada é bem simples, mas como eu só precisava de um lugar limpinho, confortável e seguro para dormir e descansar, ela atendeu perfeitamente as minhas necessidades. O café da manhã também era bem gostoso e, para a minha alegria, eles também serviam um mini lanchinho no final da tarde. Foi uma ótima surpresa encontrar um bolo e uma torta na volta dos passeios! O atendimento também foi muito bom. Além de pousada, eles também são uma agência e cuidam de tudo para você: desde o transfer do aeroporto até a reserva dos passeios.

Pousada São Jorge, uma hospedagem econômica em Bonito. Super recomendo!

Como comentei, Bonito tem uma excelente infraestrutura turística. Apesar de ser uma cidade pequena e com jeitinho de interior, ela é organizada e muuuito funcional. Me senti muito segura por lá. A rua principal é a Conselheiro Pílad Rébua e a praça mais famosa é a Praça da Liberdade. E aí onde fica o Monumento das Piraputangas (o peixe símbolo de Bonito) e a Igreja São Pedro. Essa praça é muito bonita e tive a sorte de visitá-la quando os ipês estavam floridos!

Praça da Liberdade
A rua principal (à esquerda) e Igreja São Pedro (á direita)
Um ipê rosa s2

Acredite: a parte mais difícil da viagem foi escolher os passeios. Existem MUITAS opções de atividades para fazer pela região. Tem mergulho, flutuação, cachoeiras, trilhas, grutas, contemplação, atividades de aventura... Depois de ler os descritivos com calma, montei um roteiro diversificado que ficou assim:

- dia 1: Buraco das Araras (manhã) + Flutuação Rio da Prata (tarde)
- dia 2: Gruta São Miguel + Gruta Lago Azul (manhã) + Cabanas Boia Cross (tarde)
- dia 3: Boca da Onça (dia todo)
- dia 4: Balneário Praia da Figueira (dia todo)
- dia 5: Centro de Bonito (manhã)

Os preços dos passeios em Bonito são tabelados. Isso significa que em qualquer agência que você for sempre será o mesmo valor. Não tem essa de uma vender mais barato ou mais caro que a outra. E é obrigatório você comprá-lo com uma agência. Se você chegar no atrativo sem o voucher ou fora do horário preestabelecido, não fará o passeio. Tudo é MUITO organizado. Em cada atrativo há uma recepção (com sanitários e lojinha) onde os monitores recolherão os vouchers e darão as orientações do passeio. Alguns atrativos também tem limite de visitantes por dia. Por isso as agências recomendam reservar tudo com antecedência. Ah, quando você compra um passeio também existe a opção de incluir o transporte coletivo, caso esteja sem carro.

Meu primeiro passeio foi para o Buraco das Araras, que fica a 54 quilômetros de Bonito (já na cidade de Jardim). Esse passeio é contemplativo e não exige muito esforço físico. A trilha, em terreno plano, tem quase um quilômetro e dá a volta ao redor de uma dolina (a maior da América do Sul). Eu não sabia mas dolina é uma formação geológica oriunda do desmoronamento do teto de uma caverna. O buraco é muito grande e profundo e há dois mirantes durante o percurso. A paisagem é linda e é possível observar muitas araras que vivem nas fendas das paredes desse buraco (daí o nome Buraco das Araras). É muito lindo vê-las voando de um lado para o outro. Fiquei encantada! Além de araras, também vi outras aves, como tucanos. Esse passeio durou 1h30, aproximadamente.

Entrada do Buraco das Araras
Detalhe do calçamento
Trilha (à esquerda) e um tucano (à direita)
Um dos mirantes (à esquerda) e um casal de araras (à direita)
A dolina, ou o Buraco das Araras
É lindo demais!

A fazenda onde ocorre a Flutuação Rio da Prata também fica em Jardim, bem próxima ao Buraco das Araras (geralmente os dois atrativos são agendados para o mesmo dia). Este passeio tem a duração de quatro horas e no valor já estão inclusos o almoço e todos os equipamentos necessários (roupa e bota de neoprene, máscara, snorkel e colete salva-vidas, caso precise). A estrutura do receptivo é ótima! O espaço da fazenda é bem grande e enquanto você aguarda o horário da atividade pode ficar a vontade e usar todas as áreas. Tem sanitários (com ducha quentinha), guarda-volumes, wifi, restaurante (o almoço e as sobremesas são deliciosos), redário e muuuito verde. Quem gosta de observar aves vai adorar este lugar! Vi tantos pássaros por aqui que até perdi a conta, rs. Picapau, araras, gralha-picaça... O contato com a fauna e flora da região é bastante intenso.

Depois de vestir a roupa de neoprene é preciso fazer uma trilha para chegar até a nascente do Rio Olho d'água. Apesar de tranquila, achei essa trilha um pouco extensa. O trajeto tinha uns dois quilômetros, mas como estava muito quente e vestíamos a roupa de neoprene, fiquei super cansada. A trilha é feita em um caminho demarcado, mas dentro da mata, onde é possível observar árvores e plantas típicas da região, além de aves e alguns mamíferos.

Chegando na nascente, o guia fez um treinamento com todo o grupo e, como tenho um pouco de medo de água (e lugares que não dá pé), ele me deu uma atenção especial. Fiz toda a flutuação atrás dele e isso me deixou muito mais segura e confortável. Esse primeiro trecho do rio não é profundo, mas em hipótese alguma é permitido tocar o fundo. Vi muitos peixinhos e a água é super cristalina! Depois de uns dois quilômetros, chegamos no Rio da Prata, que é bem mais profundo e frio. Essa última parte da flutuação tinha uns seiscentos metros, mas parecia não ter fim. Eu já estava bem cansada e acabei pedindo ajuda ao guia, que me rebocou até o final do percurso.

Apesar de ter sentido muito medo em quase todos os momentos da flutuação (não consegui relaxar), fiquei muito feliz de ter conseguido fazer essa atividade. Foi um momento de superação muito importante para mim. Quase nunca entro em rio/mar ou faço atividades que envolvam água, mas queria muito ver os peixinhos e ter essa experiência. O cuidado que o guia teve comigo foi fundamental para me sentir confiante e seguir em frente. Esse foi o passeio mais caro que fiz em Bonito, mas valeu muuuito a pena!

Chegando no Rio da Prata
Sempre há um receptivo nos atrativos
Picapau (á esquerda) e gralha-picaça (à direita)
Acho que vi um cavalo, rs
Redário (à esquerda) e mais passarinho (à direita)
Flutuação no Rio da Prata

O segundo dia de passeio começou na Gruta de São Miguel. Esse atrativo fica a uns dezoito quilômetros de distância do centro de Bonito. Assim, que chegamos recebemos os equipamentos de segurança (capacete e lanterna) e assistimos a um pequeno vídeo sobre a gruta. Na sequência fizemos uma caminhada curtinha em uma ponte suspensa muuuito legal (e que balançava bastante também) e depois mais um trechinho em terra firme. Após uns trezentos metros, chegamos na entrada da gruta (quando é necessário usar as lanternas, pois lá dentro é bem escuro). As formações de estalactites, estalagmites e colunas são muito bonitas e curiosas. É bem impressionante saber que tudo aquilo demorou bilhares de anos para ser formar e que ainda está em constante transformação. O passeio durou 1h30 e é bem interessante para quem nunca entrou em uma gruta.

Mais contato com a natureza na Gruta de São Miguel
Trilha suspensa e em terra firme!
Por dentro da gruta
Mais algumas formações rochosas 

Saindo da Gruta de São Miguel, fomos para a Gruta do Lago Azul, que é considerada um dos cartões postais de Bonito. Ela fica a uns 21 quilômetros do centro da cidade e a visitação dura 1h30, mais ou menos. Esse passeio também é contemplativo e, antes de iniciar, recebemos o equipamento de segurança (capacete) e assistimos a um vídeo bem curtinho. A trilha que dá acesso a gruta é bem pequena (tem duzentos metros), mas a escadaria para descer até o lago que tem dentro dela é enooorme! São trezentos degraus!!! Mas fique tranquilo porque as formações rochosas são tão lindas e impressionantes que, quando você menos perceber, já estará lá embaixo contemplando o lago. O tom turquesa do azul da água é impressionante. Muito lindo mesmo! Ninguém nunca conseguiu saber ao certo a profundidade desse lago e lá dentro já foram encontrados fósseis de animais pre-históricos, como uma preguiça gigante e um tigre dente de sabre. A parte mais difícil do passeio é subir de volta os 300 degraus, rs!

Trilha para a Gruta do Lago Azul
Descendo os trezentos degraus
E lá embaixo, o Lago Azul

Outro passeio que fez eu superar os meus limites foi o Boia Cross Cabanas. Cabanas é um hotel localizado a seis quilômetros do centro de Bonito que, além das acomodações, também oferece atividades de ecoturismo. Algumas são exclusivas para hóspedes, mas outras estão abertas para visitantes. Tem arco e flecha, arvorismo, caiaque, flutuação, trilhas e o boia cross.

Para chegar no Rio Formoso é preciso fazer uma pequena trilha de trezentos metros. O deck onde é realizado o embarque tem uma paisagem muito bonita! Depois dos dois guias passarem algumas orientações, entramos nas boias e começamos a decida. O trajeto tem 1.200 metros (percorridos em 1h40) e passa por algumas cachoeiras e corredeiras beeem emocionantes. A primeira é a mais tensa, pois todo mundo cai da boia. Como tenho aquele probleminha com água (rs), o guia me ajudou e me deu um apoio especial. Em alguns trechos do rio há cordas para ajudar na travessia. Apesar de radical, tudo é feito com bastante segurança. Como não é indicado levar câmera fotográfica ou celular neste passeio (por motivos óbvios), o hotel oferece o serviço de um fotógrafo. Comprei as fotos e gostei! Foi uma tarde bem diferente e cheia de adrenalina.

Recepção do Hotel Cabanas
Adorei esses detalhes decorativos da recepção
Local de embarque no Rio Formoso
Todo mundo cai da boia nesse trecho
Foi bem divertido!

Depois dos passeios contemplativos e de fazer flutuação e boia cross no rio, estava faltando uma atividade de trilha e cachoeira nessa viagem, não estava? Escolhi o passeio Boca da Onça, pois queria muuuito conhecer a maior cachoeira do Mato Grosso do Sul. Esse atrativo fica na cidade de Bodoquena (dentro da Fazenda Boca da Onça), a 55 quilômetros de distância de Bonito. A trilha dura o dia todo e no ingresso já estão inclusos o café da manhã e o almoço (ambos deliciosos). A infraestrutura do receptivo é MARAVILHOSA! Além de restaurante, mini museu (onde é possível conhecer um pouco da história e da cultura da região), redário, wifi gratuito e sanitários (com ducha), tem uma piscina abastecida com água corrente de uma nascente. Sim, é isso mesmo! Tem uma piscina disponível para os visitantes!

Depois do café da manhã, pegamos um transfer e percorremos um pedaço da fazenda onde havia gado. A paisagem desse trajeto é muito bonita! Depois de uns quinze minutos, chegamos no início da nossa aventura. A trilha tem apenas quatro quilômetros, mas como estava chovendo (sim, esse foi o único dia da viagem que choveu), parece que tinha mais. Passamos por vááárias cachoeiras (algumas eram apenas contemplativas). Como não curto água, não entrei em nenhuma delas, mas amei ficar admirando a natureza. Os atrativos da trilha foram esses: Piscinas da Cotia, Garganta da Arara, Cachoeira da Anta, Cascata do Jabuti, Cachoeira do Fantasma, Buraco do Macaco (ponto de banho, é uma das cachoeiras mais famosas), Poço da Lontra (ponto de banho), Prainha do Rio Salobra (ponto de banho) e Cachoeira Boca da Onça (ponto de banho, é a maior cachoeira do estado, tem 156 metros de queda, e o principal atrativo da trilha).

A última parte da trilha é a subida de uma escadaria com 886 degraus! Acho que essa foi a maior escada que já subi na vida (e com a paisagem mais bonita também). A única parte ruim foi o tempo, que permaneceu nublado o dia inteiro. O final da escadaria é em uma plataforma de rapel com mais de noventa metros de altura. Me deu até um frio na barriga só de imaginar essa descida. Aí desse ponto o transfer nos buscou e nos levou de volta ao receptivo, onde almoçamos e descansamos um pouco. Foi um dia bem cansativo, mas muito legal!

Piscina no receptivo Boca da Onça
Bichinhos que vi por lá
Mini museu
Nosso transfer até o início da trilha
O comecinho da trilha
Piscinas da Cotia
Pedacinho da trilha (à esquerda) e Cachoeira da Anta (à direita)
Cascata do Jabuti
Cachoeira do Fantasma (à esquerda) e Buraco do Macaco (à direita)
Poço da Lontra
Rio Salobra
Há plaquinhas por toda trilha (à esquerda) e Cachoeira Boca da Onça (à direita)
A trilha finaliza com uma escadaria com 886 degraus
E bora subir!
Final da subida! Venci mais uma!
Paisagem do alto, pena que estava nublado...

Meu último passeio em Bonito foi super relaxante! Meu objetivo neste dia era descansar depois de tantas atividades intensas nos dias anteriores. Escolhi a Praia da Figueira e foi bem legal! Esse balneário fica a catorze quilômetros do centro de Bonito e tem uma boa infraestrutura, com espreguiçadeiras, quiosques de sapê (dentro e fora d'água), mesinhas, restaurante, redário e sanitários (com ducha). O local é muito bonito e, como era dia de semana, estava praticamente vazio. Tive aquela praia inteira de água doce quase só para mim. Como o dia estava super ensolarado, aproveitei bastante para tomar sol e curtir a tranquilidade. Meu lugar preferido foi um deck de madeira. Passei horas sentada ali, com os pés na água e interagindo com os peixinhos. Quem gosta de emoção pode usar a tirolesa quantas vezes quiser (já está inclusa no ingresso) ou alugar um caiaque ou stand up. Ah, o local tem esse nome por causa de uma figueira enoooorme que tem ali. E a água que banha a praia é de uma lagoa gigante também (tem mais de sessenta mil metros quadrados)!

Entrada da Praia da Figueira
O local é muito bonito!
Vi macaquinhos! s2
Peixinhos na Praia da Figueira
Passarinhos
Tem mesinhas dentro d'água e um deck delícia
Mais passarinhos

Amei conhecer Bonito! Amei todos os passeios que fiz! Amei estar próxima da natureza e ver tantos bichinhos e aves diferentes! Nunca estive em um destino turístico tão organizado. Os passeios possuem um controle de qualidade e segurança excepcionais. Me senti confortável e acolhida por todos os profissionais e guias que tive contato nesses cinco dias. Vi muitos falando outros idiomas e preparados para receberem turistas de outras partes do mundo. A infraestrutura dos atrativos também me surpreendeu. Quase todos ficam quilômetros distantes do centro, bem no meio do nada, mas quando você chega lá tem uma estrutura ótima, bem decorada e agradável, alguns até com sinal de wifi gratuito. E alguns atrativos são adaptados para receberem visitantes com deficiência. Isso é muito legal e inclusivo! Me senti em um país de primeiro mundo. Parabéns a todos os profissionais de Bonito! Realmente é o melhor destino de ecoturismo do Brasil!


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