CUNHA: Cerâmicas, lavandas e vistas deslumbrantes!

Última viagem realizada em junho/2026


Cunha é uma graça! Caso você nunca tenha ouvido falar dessa cidade, continue neste post que vou te contar um pouquinho do que conheci por lá e quem sabe te convenço a marcar uma viagem imediatamente. :D Cunha está localizada no Vale do Paraíba, a uns 230 quilômetros de distância da capital paulista. Ela fica bem no meio das montanhas da Serra do Mar e da Serra da Bocaina, e é vizinha da charmosa Paraty, no Rio de Janeiro. A viagem até lá dura em torno de três à quatro horas, ou seja, perfeita para uma escapada de final de semana ou um feriado prolongado. Por estar em uma região serrana (a mais de mil metros de altitude), ela tem aquele clima romântico adorável, com pousadas e restaurantes charmosos, muito contato com a natureza e paisagens deslumbrantes. Outro diferencial da cidade são as famosas e premiadíssimas cerâmicas produzidas por lá. Já deu para perceber que Cunha é aquele tipo de cidade que agrada os mais diversos viajantes, não é? Ao mesmo tempo que esbanja tranquilidade, cultura e gastronomia, também oferece algumas atividades de ecoturismo para os mais aventureiros.

Já estive por lá duas vezes: em 2016 e em 2026. Na minha primeira visita, conheci apenas a região central, pois estava me locomovendo de transporte público. Lá no Terminal Rodoviário de Guaratinguetá há uma linha de ônibus (da viação São José) que vai até Cunha. São poucos horários ao longo do dia, mas, se organizar direitinho, dá certo. A viagem dura em torno de uma hora e é bem tranquila. Já na segunda vez, fui de carro e passei quatro dias hospedada na cidade. Isso me deu muuuito mais tempo e mobilidade para conhecer e curtir os atrativos afastados do centro.

Pórtico na entrada de Cunha

Cunha tem muitas opções de hospedagem, tanto na área urbana, como na rural. Depois de pesquisar um pouco, optei pela Pousada Recanto Namastê Mandalah, que fica em uma parte super alta de Cunha, a uns dois quilômetros do centrinho turístico (prepare-se para as ladeiras! rs). Adorei me hospedar por lá e super recomendo (o atendimento foi bastante gentil)! Achei a suíte bem espaçosa e confortável; e a varanda tinha uma vista I-N-C-R-Í-V-E-L!!! Dava para ver o centrinho e a infinidade de montanhas da Serra do Mar. Confesso que acordar com essa paisagem foi um dos pontos altos da viagem. Fiquei completamente apaixonada! s2 A área de lazer também era ótima e muito aconchegante. Tinha salão de jogos, balanço, redário, brinquedoteca, churrasqueira, quadra de areia, uma piscina enooorme (que infelizmente não usei, pois estava frio) e um deck com mais uma vista perfeita. O café da manhã era simples, mas me atendeu super bem e dava para sentir que era preparado com cuidado. A pousada também recebe pets e não cobra nenhuma taxa extra por isso. 

Pousada Recanto Namastê Mandalah
Suíte em que fiquei hospedada
A vista perfeita da varanda
Plaquinha fofa (à esquerda) e balanço (à direita)

O centro de Cunha é pequeno e pode ser percorrido a pé, sem muito esforço. Como comentei, estive por lá na minha primeira visita à cidade e neste dia estava chovendo muuuito, o que atrapalhou um pouco o passeio. Comecei meu roteiro na Praça Cônego Siqueira, onde fica a Igreja Nossa Senhora da Conceição, que tem mais de trezentos anos, acredita? Ela foi inaugurada em 1731, mas nesta época era apenas uma singela capelinha feita em taipa de pilão. Com os passar dos anos, o número de fiéis foi crescendo e a igreja precisou ser ampliada também. A maior mudança estrutural ocorreu entre os anos de 1861 e 1873. Foi neste período que ela ganhou elementos arquitetônicos dos estilos barroco e rococó, que permanecem por lá até hoje. Ao redor da praça há outros casarões históricos bem charmosos também.

Igreja Nossa Senhora da Conceição
A igreja também é muito bonita por dentro!
Casarão histórico

Outra igreja que fica ali perto da praça é a Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. Ela foi construída no final do século XVIII pelos escravizados para que eles pudessem ter um templo religioso de uso exclusivo (já que não podiam frequentar a Igreja Nossa Senhora da Conceição). Sua arquitetura é em estilo barroco. Outra construção bem antiga dali no centro de Cunha é o Mercado Municipal, inaugurado em 1913. O mercado é pequeno e com pouca variedade de produtos, mas ainda assim é possível encontrar frutas, doces, artesanatos, lembrancinhas, temperos e outras iguarias produzidas na região.

Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito
Mercado Municipal de Cunha

Todos esses atrativos que visitei ficam na parte alta do centrinho turístico de Cunha. De lá, desci para a parte baixa, onde há mais alguns lugares bem interessantes. Começando pelo Parque Lavapés, um espaço super arborizado e agradável, perfeito para um momento de lazer ou para a prática de atividades físicas. Além do Lago Lavapés, por ali também há pista para caminhada, uma charmosa ponte, parquinho infantil, quadras e até pista de skate. Como comentei, meu passeio pela região central foi embaixo de muita chuva e, por conta disso, não consegui aproveitar nadinha desse parque. :(

Vista para a parte baixa de Cunha
Amei esses desenhos das calçadas
Parque Lavapés embaixo de muita chuva

Próximo ao Parque Lavapés fica a Casa do Artesão, um dos locais mais imperdíveis da região central (para quem gosta de produtos artesanais, óbvio). Se você está sem tempo (ou sem disposição, rs) de visitar os inúmeros ateliês espalhados pela cidade, a Casa do Artesão é um ótimo lugar para conhecer um pouquinho do que é produzido em Cunha. Além de cerâmicas, bordados e esculturas, também há muitos doces. Claro que saí de lá com uma sacolinha repleta de biscoitos, bolos e chocolates! Em frente à Casa do Artesão fica a bonita escultura da Dona Dita Paneleira. Dona Dita foi uma das artesãs mais importantes de Cunha e ficou conhecida por produzir panelas, potes e diversas outras peças de forma manual, sem a ajuda de torno ou de outro equipamento mais contemporâneo (ela moldava o barro utilizando apenas as mãos).

Casa do Artesão
Cerâmicas produzidas na região
Escultura da Dona Dita Paneleira

A produção de cerâmicas em Cunha teve início no ano de 1975, quando uma japonesa e um português chegaram na cidade em busca de um local para trabalhar. Ali eles encontraram argila de boa qualidade e lenha em abundância (para a queima das peças), ou seja, condições perfeitas para a produção de cerâmicas. Com o passar dos anos, o grupo de artistas foi crescendo e hoje a cidade conta com mais de quarenta ateliês (e em 2022 ganhou o título de Capital Nacional da Cerâmica de Alta Temperatura). Cada ceramista possui um estilo artístico próprio, assim como as técnicas utilizadas na produção. Tem ateliês de cerâmica, de joias, de tecelagem... Como estava a pé pela cidade, visitei apenas alguns que ficavam na Vila das Artes (região entre o centro e a rodovia Cunha-Paraty) e amei!

Ateliê Cerâmica Toledo
Área de produção do ateliê do Ricardo Pompilio
Fiquei apaixonada por esses pratos da Casa do Oleiro
Não lembro o nome desse ateliê, mas olha que charme!

Estes foram os lugares que conheci na minha primeira viagem à Cunha. Gostei tanto do que vi que voltei alguns anos depois, dessa vez para visitar os atrativos mais afastados, onde só é possível chegar de veículo próprio. A rodovia Cunha-Paraty foi um dos locais que mais gostei! Por ali há inúmeros atrativos, dos mais variados tipos. Tem vinícola, empórios, restaurantes, cafés, cervejaria, lavandários, fazenda, campo de oliveiras, cachoeiras, mirantes... É lugar que não acaba mais! :D 

Minha primeira parada foi no cartão-postal de Cunha: O Lavandário. Eu amo lavandas e sempre tive M-U-I-T-A vontade de conhecer esse lugar! O Lavandário fica a uns oito quilômetros do centro e o acesso é bem fácil e sinalizado. Após comprar o ingresso na bilheteria, é preciso encarar uma ladeira suuuper íngrime que dá acesso ao estacionamento e aos atrativos do local. A vista lá de cima é I-N-C-R-Í-V-E-L!!! Há uma infinidade de montanhas da Serra do Mar e uma plantação enooorme de lavandas (são mais de quarenta mil pés), nas mais variadas fases de floração. Não é permitido caminhar no meio delas, mas há diversos trajetos demarcados e alguns decks de onde é possível contemplar toda a plantação. Os mirantes foram os meus espaços preferidos! Eu amei sentar nos banquinhos e sentir a paz das montanhas. Foi muito especial! s2 A infraestrutura turística do lavandário é muito boa! Além do estacionamento, há sanitários, loja, lanchonete e sorveteria. Estes espaços ficam dentro de uma construção belíssima inspirada na arquitetura das casas da região de Provença, na França. Na loja são comercializados essências, cosméticos, perfumes e muitos outros itens produzidos com as lavandas e outras flores e ervas da região. Prepare-se que na sorveteria também há lavanda! Sim, é isso mesmo que você leu. Por ali há alguns sabores de sorvetes que levam lavanda e outros tipos de flores e ervas em sua composição. Tem sorvete de pimenta-rosa, alecrim, manjericão, limão siciliano e os clássicos lavanda, chocolate com lavanda e maçã com lavanda. Provei alguns sabores e gostei bastante! Depois de tirar muuuitas fotos e aproveitar bantante o espaço, fui embora, mas ouvi dizer que o pôr do sol dali é belíssimo (#fiaadica). Ah, quase esqueci de contar que O Lavandário é pet friendly. Uhúúu!

Dica extra: caso você queira ver uma plantação de lavandas de forma gratuita, visite o Contemplário, um outro local ali na rodovia Cunha-Paraty. Não deu tempo de conhecer este espaço, mas fica para uma próxima viagem. :D
 
Olha essa vista!
A plantação de lavandas é enooorme (à esquerda) e sorvete de lavanda (à direita)
Construção inspirada na arquitetura provençal

Canto das Cachoeiras também fica ali próximo ao O Lavandário, coisa de uns dez minutos de distância. Depois de sair da rodovia Cunha-Paraty, é preciso pegar uma outra estradinha por mais uns três quilômetros. O Canto das Cachoeiras é um ecoparque com mais de dez mil metros quadrados de área verde. Por ali há algumas pequenas trilhas (com trezentos metros, no máximo) que levam a seis pequenas quedas d'água. O espaço tem uma boa infraestrutura e é ideal para se desconectar e curtir a natureza. Umas das coisas que mais gostei de lá foram as cadeiras estrategicamente colocadas próximas das quedas d'água. Elas são perfeitas para descansar e contemplar a paisagem (e ficar ouvindo o barulhinho da água, s2). Também gostei de um caminho repleto de eucaliptos enooormes. Alguns mediam cinquenta metros de altura, acredita? Ali no ecoparque também funciona um charmoso bistrô que serve bebidas, lanches e petiscos. A entrada não é gratuita e os pets são super bem-vindos!

Entrada do ecoparque (à esquerda) e eucaliptos gigantes (à direita)
Uma das quedas d'água
Muito contato com a natureza (à esquerda) e redário (à direita)
Área externa do bistrô

O Moara Café, que também fica ali na rodovia Cunha-Paraty, foi uma das grandes surpresas da viagem! Que lugar fofo e com uma vibe deliciosa. A decoração foi uma das coisas que mais me chamou a atenção. Por todo o espaço há uma infinidade de objetos antigos expostos, formando uma espécie de minimuseu. Tem celulares, máquinas de escrever, telefones, rádios... É bem divertido ir encontrando essas raridades no meio da decoração vintage/rústica do local. A área externa também é uma graça e super convidativa! O belíssimo e enooorme jardim (rodeado pela densa vegetação da Serra do Mar e por um pequeno riacho) é repleto de mesinhas, redes e alguns objetos bem inusitados, como uma turbina de avião, acredita? Por ali também funciona uma loja de produtos regionais onde é possível comprar artesanatos, lembrancinhas, doces e outras iguarias. Depois de conhecer e me divertir pelo espaço, provei um brownie recheado de pinhão que estava delicioso! Toda vez que lembro dele fico com água na boca. O Moara Café também é pet friendly.

Entrada do charmoso Moara Café
Área interna do café (à esquerda) e o inesquecível brownie recheado de pinhão (à direita)
Um pedacinho da área externa

A menos de um quilômetro do Moara Café fica a Fazenda Aracatu, mais um estabelecimento da rodovia Cunha-Paraty. Neste local funciona um charmoso empório onde é possível comprar diversas iguarias produzidas na região rural de Cunha e também na própria fazenda. Tem pão caseiro, muitos tipos de queijos e embutidos, leite, iogurte, hortaliças orgânicas, doces e artesanatos. Além desses produtos perfeitos pra levar pra casa, também há diversas opções de bebidas, lanches, petiscos, sobremesas e até sorvetes que são servidos por lá mesmo, em um café. Achei esse empório uma graça! Amei a decoração rústica e o cheirinho de pão assando no forno à lenha (simplesmente M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O). s2

Pertinho dali, coisa de uns cinco quilômetros, há um complexo gastronômico com três estabelecimentos: a Estação Dom Pedro (onde há uma locomotiva do início do século XX e dentro dela funciona uma charcutaria), a Chocolateria Imperatriz (infelizmente estava fechada no dia em que estive por lá) e a Cervejaria Ouro (além de comercializar cervejas artesanais, também funciona como um restaurante).

Entrada da Fazenda Aracatu
Empório onde são comercializadas diversas delícias 
Locomotiva antiguinha na Estação Dom Pedro

Lembra que comentei no início do post que Cunha tinha algumas atividades de ecoturismo? Então, como estava viajando com dois cachorrinhos, não pude me aventurar tanto, mas consegui fazer um passeio mais roots em um dos dias da viagem. Fui conhecer a famosa Cachoeira do Pimenta, que fica a uns onze quilômetros de distância do centro e tem entrada gratuita. A aventura começou já no caminho de ida, pois a estrada de acesso, a Estrada do Monjolo, é praticamente toda de terra e há muitas subidas, descidas e curvas (mas em compensação, as paisagens são lindas). Depois de uns trinta/quarenta minutos, finalmente cheguei na cachoeira. A infraestrutura é bem simples: há estacionamento, um deck ótimo para apreciar a vista das corredeiras e uma pequena lanchonete (que estava fechada no dia em que estive por lá). 

A Cachoeira do Pimenta tem por volta de setenta metros de altura e é dividida em três quedas principais. Nessa primeira (onde fica o estacionamento), há a formação de algumas piscinas naturais e, por conta disso, é onde a maior parte das pessoas ficam. Para acessar a segunda e a terceira queda, é preciso seguir por um caminho, no meio da mata, que começa no final da ladeira de acesso ao estacionamento (há uma placa sinalizando). Achei essa trilha um pouco difícil, principalmente porque estava com dois cachorrinhos (e um deles é idoso e precisou ir no colo), mas consegui chegar. As duas quedas d'água são lindas e muito volumosas. Fiquei um tempão por lá, curtindo o barulhão das corredeiras e contemplando a paisagem. A cachoeira finaliza na barragem de uma antiga usina hidrelétrica. Gostei MUITO de conhecer a Cachoeira do Pimenta! Achei ela linda!!! 

Durante minha viagem à Cunha também conheci a Cachoeira do Mato Limpo, que fica na rodovia Cunha-Paraty, quase na divisa com o Rio de Janeiro (a uns vinte quilômetros do centro). Ela literalmente fica beirando a rodovia e o acesso é super fácil. A cachoeira tem aproximadamente quinze metros de altura e, quando estive por lá, não estava com um volume tão grande de água. Ainda assim a achei muito bonita! Por conta de sua localização, essa cachoeira acaba sendo apenas um local de parada rápida (geralmente para fotos) por quem está descendo para Paraty. Nunca vi alguém se banhando por lá, por exemplo, rs.

Deck delícia com vista para as corredeiras
Trilha para as outras duas quedas d'água
A Cachoeira do Pimenta é muito linda!
Cachoeira do Mato Limpo, na rodovia Cunha-Paraty

Amei Cunha e amei as duas viagens que fiz para lá! A cidade é muito acolhedora e charmosa, além de ter uma boa diversidade de atrativos turísticos. O contato com a natureza é revigorante e contemplei muitas paisagens de tirar o fôlego. Também achei Cunha bastante pet friendly! Como comentei, na viagem de 2026 estava acompanhada por dois cachorrinhos e eles puderam ficar comigo em praticamente todos os lugares. Isso foi muito legal! Uma coisa que percebi (e que me chateou) é que quase não é possível turistar a pé por lá. Boa parte dos atrativos ficam fora da região central, onde só é possível chegar de veículo próprio. Apesar de já ter ido à Cunha duas vezes, ainda não consegui conhecer tudo. Faltou a Cachoeira do Desterro, o Parque Estadual da Serra do Mar (e suas diversas trilhas), a Pedra da Macela (o ponto mais alto da cidade, a 2800 metros de altitude), o Parque Solar, o tradicional ateliê Suenaga e Jardineiro, o Contemplário, a Casa do Strudel, o Olival... Ah, sem falar no tradicional evento da queima das cerâmicas, que é super famoso na cidade! Acho que terei que voltar pela terceira vez. :D


GOSTOU DE CUNHA?
Visite Paraty também! Fica bem próximo.

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